Estar no controle é o que queremos. Gastamos nossa vida correndo atrás desse objetivo. Queremos que tudo ocorra conforme a nossa vontade.

Primeiramente, queremos controlar a nós mesmos. O que mais tentamos controlar em nós são os sentimentos. Por vivermos em uma geração que super valoriza o bem estar, qualquer desconforto é mal visto. Nessa lógica, qualquer situação que possa gerar um sentimento tido como desagradável é ao máximo evitada; e se o sentimento “surge”, é ao máximo controlado. Sabe aquela sensação de que as pessoas estão sempre sufocadas!?… Ao invés de experienciar o que se sente, de se expor a novos contextos, a  necessidade de controle limita o homem. A “estratégia” que deveria protegê-lo, o aprisiona, o enfraquece.

Queremos sentir apenas sensações prazerosas. Mas a tentativa de controlar os sentimentos nem sempre é bem sucedida, e, então, sofremos.

Mas pior do que a tentativa de controlar a si mesmo, é o desejo de controlar os outros. Já que falhamos no controle de “nossos próprios sentimentos”, almejamos que o outro se submeta. Queremos que o outro se comporte de acordo com nossos padrões, que ele cumpra nossas expectativas, e melhor, que ele adivinhe o que queremos que ele faça. Mas amigos, não temos bolas de cristal, nem outros artifícios para “desvendarmos” o que o outro pensa. Até nós, psicólogos, não temos acesso aos pensamentos de nosso cliente se ele não nos disser (ao contrário do que muitos pensam, que nós conseguimos ler a mente das pessoas!). E aqui, está uma cilada maior ainda. Como o outro nem ao menos sabe o que esperamos dele, existe uma probabilidade muito grande de que ele não cumpra nossa expectativa, e, então… sofremos. Sofremos porque o outro não agiu como esperávamos, e, mais, sofremos por não termos conseguido controlar.

Podemos comentar outras situações em que o desejo de exercer controle total está presente. Mas creio que em todas essas situações haverá algo em comum: enquanto tentarmos controlar todas as coisas, enquanto esperarmos que o outro tenha uma revelação e mude seu comportamento, enquanto esperarmos ser sempre valorizados e ter sempre sentimentos positivos… iremos sofrer! Pois sensações desagradáveis, mal entendidos, desavenças, opiniões contrárias, dias de chuva, carros quebrados, sempre existirão!

E você? O quanto tem sofrido por tentar manter o controle total de sua vida? O quanto tem se limitado, na tentativa de não sofrer?